::particularidades::


Amanhã estarei em Mossoró City participando de seminário de organização do III Fórum Social Potiguar, que será realizado por lá em dezembro. Ontem tive notícia boa sobre minha pesquisa na universidade, acho q dessa vez vai. Enfim, as coisas estão tomando seu rumo mesmo que eu fique meio de bobeira. Ah, não podia deixar de comentar, que mudei de visual de novo!!! Agora estou meio achocolatada com mechas mel, quem sabe não adoçam meus caminhos...

Escrito por ci às 16h22
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Começa hoje a IV Semana de Antropologia da UFRN, com a conferência Memória e História: dos índios aos marranos do mundo ibérico, pelo professor Nathan Wachtel, do Collège de France, às 9h, na BCZM. Até sexta-feira, o evento terá uma extensa programação.  À noite, devo ir ver a Mesa Redonda "Discriminação: um balanço político e acadêmico".



Escrito por ci às 10h54
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E pensar que um certo dia, uma certa pessoa me fez ir até uma livraria, procurar o livro do Ferreira Gullar só pra ler essa poesia...

Escrito por ci às 10h46
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Leio agora no Diário de Natal, que de 5 a 12 de novembro, será realizado o 14º Festival de Cinema e Vídeo de Natal. A abertura será com o filme As Filhas do Vento, história baseada na vida de Ruth de Souza, que saiu do interior para se tornar atriz no Rio de Janeiro, tendo de enfrentar todo o tipo de preconceito que restringe o mercado de trabalho dos atores negros a papéis subalternos ou estereotipados. Esse filme foi o grande vencedor do Festival de Cinema de Gramado deste ano, e que foi aplaudido com estusiasmo por aquelas bandas. Outra produção que será imperdível é Glauber, O Filme - Labirinto do Brasil, documentário que conta a biografia desse revolucionário cineasta.

Escrito por ci às 10h38
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A Última Crônica
Fernando Sabino
 
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

* Crônica publicada no livro "A Companheira de viagem" (Editora Record, 1965)



Escrito por ci às 10h32
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Hoje estou saindo um pouco das minhas deliciosas férias forçadas para assistir a uma aula sobre os Paradigmas da Complexidade, na UFRN. Pois é, depois de quatro anos formada e sem maiores reciclagens voltarei à sala de aula para um curso de Atualização em Ciências Sociais para, oxalá me ajude, tentar um mestrado no próximo ano. Sei que parece bobagem, mas sinto como se estivesse começando um novo ciclo na minha vida. Essa idéia de voltar a estudar, ter um horizonte me inspira a ler mais a ver mais filme e mexer mais com meu imaginário. Quem sabe essa energia me ajude em outras esferas de minha pequena existência. Bjos e desejem-se sorte.



Escrito por ci às 11h58
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